Case Agence: Automação para Priorização de Manutenção Hospitalar
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Case Agence: Automação para Priorização de Manutenção Hospitalar

Em uma unidade hospitalar de São Paulo, quatro gestores perdiam duas horas e meia por semana decidindo, ordem por ordem, o que era urgente e o que podia esperar na manutenção do hospital. A Agence foi chamada para provar que a automação de manutenção hospitalar com IA conseguia fazer essa triagem inicial sem tirar a palavra final das mãos deles.

O gargalo: 14 horas por semana para priorizar ordens de manutenção manualmente

A unidade atendida integra uma grande rede hospitalar de São Paulo, com um parque de ativos que vai de equipamentos críticos de UTI a itens de infraestrutura predial, como ar-condicionado e iluminação. Todo esse parque é gerido de forma centralizada pelo Manusis4, o CMMS que a rede usa para registrar as ordens de manutenção preventiva, corretiva e preditiva ao longo da semana. Foi o próprio hospital que procurou a Agence, no final do primeiro semestre de 2025, com uma queixa direta: o processo semanal de priorização de ordens de manutenção estava consumindo tempo demais da equipe de gestão.

A rotina seguia um roteiro fixo. Toda segunda de manhã, o analista de planejamento entrava no Manusis4, exportava os dados e consolidava tudo manualmente em uma planilha de Excel. Na segunda à tarde, quatro gestores se reuniam por duas horas e meia para analisar cada ordem, uma a uma, e decidir o que entrava na fila de execução daquela semana. Encerrada a reunião, o analista retornava ao Manusis4 para atualizar manualmente o status de cada ordem aprovada, liberando o sequenciamento do serviço. As ordens reprovadas permaneciam na planilha e voltavam à pauta nas semanas seguintes.

Esse é o tipo de gargalo que normalmente justifica um projeto de automação de processos: profissionais qualificados presos a uma tarefa repetitiva, sem tempo para frentes mais estratégicas da operação hospitalar.

14h

horas-homem consumidas por semana só na etapa de priorização, antes de qualquer execução de serviço

2h30

duração da reunião semanal em que os gestores analisavam ordem por ordem

4

gestores envolvidos na análise de cada ordem de manutenção

Diagnóstico: custo de tempo, variabilidade entre gestores e risco de erro na planilha

O diagnóstico do hospital revelou que o problema não era só a duração da reunião. A preparação consumia cerca de 4 horas semanais do analista de planejamento, e a reunião ocupava os 4 gestores por 2 horas e meia, somando 10 horas-homem. No total, 14 horas de trabalho qualificado eram gastas antes que qualquer ordem de manutenção fosse de fato executada. Nas entrevistas, um segundo padrão apareceu: nos extremos da priorização, entre o que era claramente crítico e o que era claramente de baixa prioridade, os gestores convergiam. A divergência se concentrava nas categorias intermediárias, e a causa era mais humana do que técnica: um gestor com mais convivência em determinado setor do hospital tendia a atribuir criticidade maior a uma ordem do que um colega sem aquela vivência, mesmo diante da mesma informação.

Custo de tempo

4 horas semanais do analista de planejamento mais 10 horas dos quatro gestores em reunião somam 14 horas-homem por semana, gasto antes de qualquer serviço ser executado.

Variabilidade entre gestores

Nos extremos da priorização havia consenso. A divergência se concentrava nas categorias intermediárias, por assimetria de vivência entre gestores e setores do hospital.

Risco de erro manual

Extração e consolidação inteiramente manuais no Excel geravam reuniões prejudicadas por dados equivocados na planilha, segundo relato da própria equipe.

A solução em duas camadas: extração automática e classificação por IA

A resposta definida com o hospital foi dividir a solução em duas camadas. A primeira é sistêmica: automatiza a extração e a consolidação dos dados que hoje saem do Manusis4, um caso concreto de automação de CMMS, sem depender do analista abrindo o sistema toda segunda-feira. A segunda é cognitiva: analisa semanticamente cada ordem de manutenção e propõe uma classificação de prioridade, reproduzindo os critérios que os próprios gestores usam.

Esse desenho segue os princípios de human in the loop em IA aplicados a qualquer processo crítico, em que a decisão final nunca pode ficar só com o modelo.

A metodologia seguiu dois trilhos. Com a equipe do hospital, a Agence aplicou as fases de empatia e definição do Design Thinking, com sessões de shadowing e entrevistas gravadas com analistas e gestores. Com a equipe técnica, as fases de ideação, prototipação e testes rodaram em sprints quinzenais sob Scrum, com o melhor resultado de cada ciclo levado a uma reunião de validação com o hospital a cada três dias.

Decisões de engenharia: por que automação web, LLM local e Playwright venceram as alternativas

Cada decisão técnica respondeu a uma necessidade específica, e em quase todas elas a alternativa mais óbvia foi descartada por um motivo concreto. O Manusis4 é um SaaS sem acesso ao código-fonte e sua documentação não prevê API de exportação, o que tornava a integração via API inviável. A saída foi automação web não invasiva, simulando a navegação de um usuário real dentro da própria plataforma.

NecessidadeAlternativa descartadaDecisão
Extração e consolidação dos dadosIntegração via API, inviável por ser SaaS sem código-fonte e sem endpoint de exportaçãoAutomação web não invasiva, simulando a navegação de um usuário
Pré-classificação das ordensÁrvore de decisão e machine learning, exigiam volume de dados indisponívelModelo de linguagem com engenharia de prompt para IA
Interoperabilidade com o Power BIRefazer os dashboards, com risco de incompatibilidade com planilhas históricasPreservação integral do formato da planilha mestre já usada pelo hospital
Soberania dos dados sensíveisAPI de LLM de terceiros, com risco de alimentar treinamento de modelos externosLLM local para dados sensíveis, hospedado na infraestrutura do próprio hospital
Resiliência sistêmicaRequisições diretas sem tratamento de falha, vulneráveis à instabilidade do Manusis4Playwright, com espera automática nativa e lógica de retry

O volume de ordens históricas priorizadas também não sustentava um modelo estatístico convencional: o gabarito disponível somava apenas 500 ordens, dado insuficiente para treinar uma árvore de decisão ou um modelo de machine learning tradicional. Foi esse limite, não o tamanho do parque de equipamentos do hospital, que levou à escolha de um modelo de linguagem com engenharia de prompt para IA. O resultado é uma stack inteiramente aberta, com Python, Playwright, Pandas e Qwen2.5-14B, sem custo de licença e totalmente auditável, o que facilita tanto a manutenção quanto a revisão técnica por terceiros.

Engenharia de prompt: como a concordância com os gestores saiu de 38% para 72%

O hospital forneceu um gabarito de 500 ordens de manutenção já priorizadas pelos gestores. A cada mudança relevante no prompt, a equipe técnica rodava o fluxo completo e comparava o resultado ao gabarito com scripts próprios, que geravam automaticamente o percentual de concordância e a matriz de confusão. O fluxo chegou a ser executado de uma a duas vezes por dia, mapeando avanços, regressões e padrões de falha a cada iteração.

38%

concordância na V1, persona genérica sem contexto institucional

55%

concordância na V2, com contexto do hospital e few-shot

72%

concordância na V3, com escores numéricos de risco

V1: linha de base

Persona de Engenheiro Clínico Sênior, ancorada em normas reais, mas deliberadamente sem informação da instituição. O modelo acertava as demandas críticas, mas superestimava a prioridade das ordens de baixa criticidade.

V2: contextualização

Contexto do hospital, matriz de criticidade institucional e exemplos reais com justificativa caso a caso. O calibre geral melhorou, mas ordens da mesma categoria ainda eram indistinguíveis entre si.

V3: escores numéricos

Inclusão de dois valores inteiros na resposta, risco ao paciente e impacto operacional. Foi o que deu à IA a granularidade que faltava dentro de cada categoria de prioridade.

O salto de uma versão para outra não veio de um modelo maior ou mais caro: veio de prompt mais específico. É a mesma lição que aparece em outros projetos de inteligência artificial aplicada a processos de negócio, em que a engenharia de prompt costuma valer mais do que a escolha do modelo em si.

Dois escores numéricos bastaram porque são exatamente as variáveis que alimentam o score de risco em manutenção desenhado com o hospital: risco ao paciente e impacto operacional. Adicionar um terceiro critério exigiria recalibrar toda a matriz de pesos, sem garantia de que o gabarito de 500 ordens sustentasse essa granularidade extra.

O score de risco e as quatro camadas contra alucinação da IA

A resposta da V3 se apoia em uma fórmula simples: score de risco em manutenção = (risco ao paciente × 0,6) + (impacto operacional × 0,4). A equipe testou quatro combinações de peso diferentes, e essa foi a que mais coincidiu com a priorização histórica dos gestores. A variável de risco ao paciente captura tudo que ameaça a segurança do paciente e as exigências regulatórias; a de impacto operacional captura infraestrutura e gestão.

  • Autossuficiência do prompt: todos os insumos necessários para a classificação já estão dentro do próprio prompt, sem busca externa em tempo real.
  • Contextualização específica da instituição: quanto mais claras as regras do hospital dentro do prompt, menor a margem para a IA inventar critério próprio.
  • Restrição de formato: a resposta sai em JSON, com chaves e tipos fixos, o que permite detectar automaticamente qualquer saída fora do padrão e disparar um retry.
  • Human in the loop: a validação final continua com os gestores, a camada de proteção mais importante de todas.

Essa disciplina de validação segue o mesmo raciocínio que orienta qualquer projeto de implementação de IA nas empresas: testar contra um problema real antes de confiar na solução em escala.

Na prática, é a camada 3 que age primeiro quando alguma resposta foge do esperado. Se o modelo devolve um JSON com campo faltante ou de tipo errado, o sistema descarta a resposta e dispara automaticamente uma nova tentativa da mesma requisição, antes que qualquer classificação malformada chegue perto da planilha dos gestores.

Protocolo de validação: testando a IA sem viés de confirmação

Antes de qualquer redução de esforço ser prometida, a solução precisava provar que classificava bem sem contaminar a decisão dos gestores. O desenho do piloto foi pensado exatamente para isso.

  1. 1Duas semanas em paraleloA automação rodou ao lado do processo antigo completo, processando 198 ordens de manutenção, sem substituir nenhuma etapa manual ainda.
  2. 2Sigilo até o fim da reuniãoAs priorizações geradas pela IA ficaram guardadas até o encerramento de cada reunião do comitê, evitando que os gestores decidissem influenciados pela sugestão do modelo.
  3. 3Comparação só depoisSomente após a reunião as classificações da IA eram comparadas às decisões humanas. Esse desenho evitou o viés de confirmação, o ponto central deste protocolo de validação de IA em processos críticos.
  4. 4Métricas do pilotoAcurácia da classificação, sensibilidade nas ordens críticas e tempo médio de cada etapa da automação foram os três indicadores acompanhados nessas duas semanas.
  5. 5Redução de esforço medida depoisSó depois da solução em produção, com a planilha pré-classificada como ponto de partida, o ganho de tempo dos gestores entrou na conta.

Resultados em produção: menos horas de gestão, mesma decisão final humana

Com a solução em produção, o ciclo completo passou a rodar em 55 minutos: 20 minutos de extração, majoritariamente o tempo de download das planilhas no Manusis4, 33 minutos no fluxo de priorização por IA e 2 minutos de transformação, já com a consolidação dos dados e a geração da planilha final no formato legado que os dashboards do Power BI já usavam. O resultado consolida um modelo de IA para gestão hospitalar que preserva a decisão dos gestores e reduz apenas o trabalho repetitivo em torno dela.

98%

taxa de sucesso em 50 ciclos consecutivos de extração

72%

concordância final com os gestores no teste em produção

18/18

ordens críticas do período acertadas, sem rebaixamento na camada de emergência

40%

redução aproximada em tempo de reuniões de gestão semanais

IndicadorAntesDepois
Preparação de dados4 horas semanaisMenos de 1 minuto, o tempo de abrir o e-mail com a planilha pronta
Reunião de priorização4 gestores por 2h30Cerca de 40% mais curta
Natureza da reuniãoClassificação item a itemValidação de exceções
Custo de infraestrutura de IANão existiaCerca de US$ 20 por mês, com instâncias spot
A reunião deixou de ser sobre classificar cada ordem uma a uma e passou a ser sobre validar as poucas exceções que realmente exigem decisão humana.

Perguntas frequentes sobre automação de manutenção hospitalar com IA

Como funciona a priorização automática de ordens de manutenção com inteligência artificial?

Um robô de automação web extrai as ordens do Manusis4 todo início de semana. Cada ordem é enviada a um modelo de linguagem, que classifica a prioridade e calcula um score de risco com base no impacto ao paciente e na operação. O resultado chega aos gestores como uma pré-priorização, já organizada na planilha que eles sempre usaram.

A IA substitui a decisão dos gestores na priorização de manutenção hospitalar?

Não. A IA entrega uma sugestão de prioridade para cada ordem, mas a validação final continua com os quatro gestores do comitê. Essa foi uma premissa definida antes da primeira linha de código, porque o processo envolve risco direto ao paciente.

É seguro usar inteligência artificial com dados hospitalares sensíveis?

O projeto usou um LLM local para dados sensíveis, hospedado na infraestrutura do próprio hospital, para que nenhuma informação de paciente ou de ativo crítico saísse da instituição rumo a uma API de terceiros que pudesse usá-la para treinar outros modelos.

Quanto custa manter uma solução de IA local para automação de manutenção?

No case, o custo de infraestrutura de IA ficou em torno de US$ 20 por mês. Rodar o servidor com GPU o mês inteiro custaria cerca de US$ 400, mas como a rotina só precisa executar uma vez por semana, instâncias spot sobem e derrubam o ambiente automaticamente conforme o uso.

Como evitar que a IA alucine ao classificar prioridades em processos críticos?

Com quatro camadas: um prompt autossuficiente, que já contém toda a informação necessária; contexto específico da instituição; resposta em formato fixo, que permite detectar e repetir automaticamente qualquer saída fora do padrão; e validação humana final, a camada que nenhuma das outras substitui.

Priorize manutenção crítica com o rigor que sua operação exige

O resultado desse case não veio de uma promessa genérica de IA: veio de um gabarito real para medir concordância, de engenharia de prompt iterada até o número sustentar a decisão e de um protocolo de validação sem viés de confirmação. Se você lida com um processo manual e crítico na sua operação, vale a pena avaliar com um especialista onde há espaço para esse mesmo tipo de pré-priorização, sem abrir mão da decisão final humana.

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